sábado, 3 de novembro de 2007

A Fundação da FIBA

Com o grande crescimento do basquete, o principal incentivo ao esporte foi dado pela Federação Internacional de Esportes Atléticos (IAAF), que era a entidade articuladora do movimento olímpico no início do século. A grande diferença das regras do basquete em relação às dos outros esportes dificultava sua convivência, dentro da mesma entidade, com outras modalidades essencialmente individuais, como o atletismo.
Em seu Congresso Anual, em Haya (1926), a IAAF resolveu criar uma comissão para estudar a possibilidade de integrar sob uma mesma administração o basquete e o handebol, embora em comissões separadas. Dois anos mais tarde, durante as Olimpíadas de Amsterdã, a própria IAAF convidou representações de vários países para estudar a formação de uma entidade exclusiva para os esportes com bola, mas ainda sob seu comando. Em 4 de agosto de 1928, foi fundada a Federação Internacional de Handebol Amador (IAHF), que congregava todos os esportes jogados apenas com as mãos. Foram formadas três sub-comissões: handebol indoor, handebol de quadra e basquete. A sub-comissão de basquete era de natureza puramente técnica, composta por dois franceses, um canadense e um americano, e foi a primeira entidade de basquete criada. Em 1929, foi criada a Liga de Basquete de Genebra (Suíça), logo depois transformada em Liga Suíça de Basquete, que utilizava as instalações da ACM em Genebra.
Surge então a figura de Renato William Jones, um inglês de impressionante formação, que se tornou um dos principais defensores do esporte. No verão de 1931, Jones encontra-se com o secretário da IAHF, German Hassler, no intuito de discutir a emancipação do basquete, não obtendo resultado. Em 18 de junho de 1932, Elmer Berry, diretor da Escola de Educação Física da ACM, convoca a primeira conferência internacional de basquete, contando com a presença do próprio Berry, de William Jones, e representantes da Argentina, Grécia, Itália, Letônia, Portugal, Romênia, Suíça e Tchecoslováquia, além de observadores da Hungria e Bulgária. Ao final da conferência, nascia a Federação Internacional de Basketball Amador (FIBA), presidida pelo suíço Leon Buffard e secretariada por William Jones.
Renato William Jones
Faltava, no entanto, o reconhecimento da IAHF. Os defensores da independência do basquete pretendiam algo mais: queriam transformar o esporte em modalidade olímpica oficial, não mais como demonstração, como ocorrera nos Jogos de Saint Louis, em 1904. Para isto, era necessária a independência total da FIBA e o seu reconhecimento pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Sem isto, o basquete jamais poderia figurar no programa olímpico. Mas havia outro problema: no grupo de fundadores da FIBA, não havia nenhum representante da França, pois os franceses ainda não havia estruturado sua Federação Nacional. Isto tirava um pouco do prestígio da FIBA, já que àquela época era muito comum a presença francesa em eventos de grande porte. Em 25 de junho de 1932, após tensas reuniões, os franceses resolvem criar sua Federação de basquete, desvinculando-o da Federação de Atletismo local e, em 1933, solicitam sua filiação à FIBA, sendo imediatamente aceitos. A adesão francesa à FIBA solidificava a independência da entidade. Em agosto de 1934, Renato William Jones, mesmo sem ser oficialmente convidado, comparece ao Congresso Mundial da IAHF, e defende fervorosamente a independência do basquete. Até que, em 1º de setembro do mesmo ano, é assinado um protocolo que confere oficialmente a autonomia à FIBA, assinado por Tadeusz Kuchar e Karl Von Halt, pela IAHF, e William Jones e o Conde da San Marzano, pela FIBA. Em 19 de outubro, a Federação Argentina pede ao Comitê Organizador das Olimpíadas de Berlim (que seriam em 1936) a inclusão do basquete no programa da competição, mas isto só ocorreu depois que o COI reconheceu oficialmente a independência da FIBA, em 28 de fevereiro de 1935, durante sua 33ª Sessão, realizada em Oslo (Noruega). Iniciava-se a marcha olímpica do basquete. As mulheres, no entanto, só puderam participar a partir de 1976, nas Olimpíadas de Montreal, vencidas pelas soviéticas. Desde sua fundação, a Federação Internacional de Basketball já teve três sedes, sendo Roma a primeira delas. Em 1940, mudou-se para Berna, na Suíça, para então, em 1956, estabelecer-se definitivamente em Munique, na Alemanha. Já teve oito presidentes, tendo sido dirigida inclusive pelo brasileiro Antônio dos Reis Carneiro, de 1960 a 1968. O atual presidente é o senegalês Abdoulaye Seye Moreau. Em toda a trajetória do basquete ao longo deste século, nada foi mais determinante para a afirmação do esporte quanto o empenho e a dedicação do legendário Renato William Jones, que foi Secretário-geral da FIBA desde sua fundação até 1976, quando foi sucedido pelo iugoslavo Borislav Stankovic, que permanece até hoje no cargo.

Basquete no Brasil

A História Oficial do Basquete
O basquete no Brasil
O Brasil foi um dos primeiros países a conhecer a novidade. Augusto Shaw, um norte-americano nascido na cidade de Clayville, região de Nova York, completou seus estudos na Universidade de Yale, onde em 1892 graduou-se como bacharel em artes e onde Shaw tomou contato pela primeira vez com o basquete. Dois anos depois, recebeu um convite para lecionar no tradicional Mackenzie College, em São Paulo. Na bagagem, trouxe mais do que livros sobre história da arte. Havia também uma bola de basquete. Mas demorou um pouco até que o professor pudesse concretizar o desejo de ver o esporte criado por James Naismith adotado no Brasil. A nova modalidade foi apresentada e aprovada imediatamente pelas mulheres. Isso atrapalhou a difusão do basquete entre os rapazes, movidos pelo forte machismo da época. Para piorar, havia a forte concorrência do futebol, trazido em 1894 por Charles Miller, e que se tornou a grande coqueluche da época entre os homens. Aos poucos o persistente Augusto Shaw foi convencendo seus alunos de que o basquete não era um jogo de mulheres. Quebrada a resistência, ele conseguiu montar a primeira equipe do Mackenzie College, ainda em 1896. Uma foto enviada ao Instituto Mackenzie nos Estados Unidos, mostra o que seria a primeira equipe organizada no Brasil, justamente por Shaw. Estão identificados Horácio Nogueira e Edgar de Barros (em cima), Pedro Saturnino, Augusto Marques Guerra, Theodoro Joyce, José Almeida e Mário Eppinghauss (em baixo).
Primeira equipe de basquete no Brasil, formada por Augusto Shaw no Colégio Mackenzie (SP), em 1896.
Shaw viveu no Brasil até 1914 e teve a chance de acompanhar a difusão do basquete no país. Faleceu em 1939, nos Estados Unidos. A aceitação nacional do novo esporte veio através do Professor Oscar Thompson, na Escola Nacional de São Paulo e Henry J. Sims, então diretor de Educação Física da Associação Cristã de Moços (ACM), do Rio de Janeiro. Em 1912, no ginásio da rua da Quitanda nº 47, no centro do Rio de Janeiro, aconteceram os primeiros torneios de basquete. Em 1913, quando da visita da seleção chilena de futebol a convite do América Futebol Clube, seus integrantes, membros da ACM de Santiago, passaram a freqüentar o ginásio da rua da Quitanda. Henry Sims, convenceu os dirigentes do América a introduzir o basquete no clube da rua Campos Salles, no bairro da Tijuca. Para animá-los, arranjou um jogo contra os chilenos oferecendo uma equipe da ACM, com o uniforme do América que triunfou pelo curioso score de 5 a 4. O plano vingou e o América foi o primeiro clube carioca a adotar o basquete. As primeiras regras em português foram traduzidas em 1915. Nesse ano a ACM realizou o primeiro torneio da América do Sul, com a participação de seis equipes. O sucesso foi tão grande que a Liga Metropolitana de Sports Athléticos, responsável pelos esportes terrestres no Rio de Janeiro, resolveu adotar o basquete em 1916. O primeiro campeonato oficializado pela Liga foi em1919, com a vitória do Flamengo. Em 1922 foi convocada pela primeira vez a seleção brasileira, quando da comemoração do Centenário do Brasil nos Jogos Latino-Americanos, um torneio continental, em dois turnos, entre as seleções do Brasil, Argentina e Uruguai. O Brasil sagrou-se campeão, sob a direção de Fred Brown. Em 1930, com a participação do Brasil, foi realizado em Montevidéu, o primeiro Campeonato Sul-Americano de Basquete. Em 1933 houve uma cisão no esporte nacional, quando os clubes que adotaram o profissionalismo do futebol criaram entidades especializadas dos vários desportos. Nasceu assim a Federação Brasileira de Basketball, fundada a 25 de dezembro de 1933, no Rio de Janeiro. Em assembléia aprovada dia 26 de dezembro de 1941, passou ao nome atual, Confederação Brasileira de Basketball.

A Historia do basquete

Em 1891, o longo e rigoroso inverno de Massachussets tornava impossível a prática de esportes ao ar livre. As poucas opções de atividades físicas em locais fechados se restringiam a entediantes aulas de ginástica, que pouco estimulavam aos alunos. Foi então que Luther Halsey Gullick, diretor do Springfield College, colégio internacional da Associação Cristã de Moços (ACM), convocou o professor canadense James Naismith, de 30 anos, e confiou-lhe uma missão: pensar em algum tipo de jogo sem violência que estimulasse seus alunos durante o inverno, mas que pudesse também ser praticado no verão em áreas abertas.
Naismith com o time da Universidade de Kansas, onde foi técnico por muitos anos.
Depois de algumas reuniões com outros professores de educação física da região, James Naismith chegou a pensar em desistir da missão. Mas seu espírito empreendedor o impedia. Refletindo bastante, chegou à conclusão de que o jogo deveria ter um alvo fixo, com algum grau de dificuldade. Sem dúvida, deveria ser jogado com uma bola, maior que a de futebol, que quicasse com regularidade. Mas o jogo não poderia ser tão agressivo quanto o futebol americano, para evitar conflitos entre os alunos, e deveria ter um sentido coletivo. Havia um outro problema: se a bola fosse jogada com os pés, a possibilidade de choque ainda existiria. Naismith decidiu então que o jogo deveria ser jogado com as mãos, mas a bola não poderia ficar retida por muito tempo e nem ser batida com o punho fechado, para evitar socos acidentais nas disputas de lances. A preocupação seguinte do professor era quanto ao alvo que deveria ser atingido pela bola. Imaginou primeiramente colocá-lo no chão, mas já havia outros esportes assim, como o hóquei e o futebol. A solução surgiu como um relâmpago: o alvo deveria ficar a 3,5m de altura, onde imaginava que nenhum jogador da defesa seria capaz de parar a bola que fosse arremessada para o alvo. Tamanha altura também dava um certo grau de dificuldade ao jogo, como Naismith desejava desde o início. Mas qual seria o melhor local para fixar o alvo? Como ele seria? Encontrando o zelador do colégio, Naismith perguntou se ele não dispunha de duas caixas com abertura de cerca de 8 polegadas quadradas (45,72 cm). O zelador foi ao depósito e voltou trazendo dois velhos cestos de pêssego. Com um martelo e alguns pregos, Naismith prendeu os cestos na parte superior de duas pilastras, que ele pensava ter mais de 3,0m, uma em cada lado do ginásio. Mediu a altura. Exatos 3,05m, altura esta que permanece até hoje. Nascia a cesta de basquete.